Spatz3 - Balão Intragástrico Ajustável

Porque o balão intragástrico só é eficiente com a mudança de hábito

Mais de 20% da população mundial sofre com a obesidade. Mais da metade da população brasileira está acima do peso. 72% das mortes de brasileiros se dão por conta de doenças crônicas, muitas delas associadas aos maus hábitos alimentares. Estes números são assustadores e revelam o caráter epidêmico da obesidade. Mas por que chegamos a este ponto? Por que é tão difícil de combater a obesidade? Precisamos, antes de tudo, focar em uma mudança de hábito.

De acordo com especialistas, a obesidade é uma doença multifatorial que envolve quesitos genéticos, demográficos e abrange principalmente questões comportamentais. Comportamento que está diretamente ligado a problemas psicológicos como transtorno de ansiedade e depressão, por exemplo. Portanto, os tratamentos que oferecem melhores resultados são os que se encarregam de cuidar de cada causa sistematicamente.

Como assim?

Como a obesidade é uma doença que tem diversas causas, é preciso atacá-las de maneira estratégica e sistêmica. Mas o foco deve ser sempre a alimentação, claro. Um dos tratamentos mais recomendados atualmente por especialistas é o balão intragástrico. Indicado principalmente por conta de seus altos índices de sucesso, o balão intragástrico tem uma vantagem enorme sobre outros tratamentos. Ele age diretamente na parte mais difícil de todo o processo: o controle da saciedade.

Como o balão intragástrico funciona no controle da saciedade?

O balão intragástrico é um dispositivo médico fabricado com silicone cirúrgico, muitíssimo resistente e seguro. Projetado para ser inflado dentro do estômago, o balão intragástrico tem a finalidade de preencher espaço e provocar peso. Isto porque seu principal efeito para o tratamento para emagrecer é a sensação de saciedade que causa no paciente. Com isso, reduz-se a ingestão de alimentos e assim há perda de peso, por meio de um programa alimentar assistido.

Uma das vantagens do balão intragástrico é que não é um tratamento cirúrgico. O procedimento é realizado por endoscopia, geralmente com sedação leve. A colocação do balão intragástrico dura aproximadamente 15 minutos. Então o paciente é observado por uma hora e pode ser liberado para casa em seguida, dispensando internação. Este método de emagrecimento é considerado pela comunidade médica internacional um dos mais seguros entre uma série de tratamentos disponíveis.

Cheio, o balão intragástrico pode ocupar de um quarto à metade do estômago do paciente. Isso depende da abordagem de cada equipe médica e do tipo de balão intragástrico escolhido para o tratamento. Assunto que abordamos no texto Tudo o que você precisa saber sobre o balão intragástrico.

Emagrecimento saudável

O balão intragástrico tem como objetivo oferecer condições para que o paciente emagreça com saúde. O que isso significa? Diferente das dietas da moda, que não contam com respaldo científico tampouco indicação médica, existe uma série de estudos e pesquisas que atestam a eficiência e a segurança do balão intragástrico.

Mas o balão intragástrico só funciona de maneira segura e com altos índices de sucesso quando há comprometimento do paciente. É preciso que o paciente esteja entregue ao tratamento e haja com disciplina no processo de mudança de hábitos.

Mas que hábitos são esses que precisam ser mudados?

A regra é clara. Não há como emagrecer ingerindo mais energia do que se gasta. Por isso, não adianta apenas comer menos, com a ajuda do balão intragástrico. É preciso comer MELHOR!

Transformar a relação que se tem com a comida é o primeiro passo para iniciar um processo de reeducação alimentar. Mas para isso, é recomendável a ajuda de dois profissionais da saúde diferentes: o nutricionista e o psicólogo.

O nutricionista avalia os hábitos alimentares do paciente, seus exames clínicos e laboratoriais e indica um programa alimentar estratégico. A intenção é mostrar para o paciente que é possível ter prazer com a comida sem necessariamente basear a alimentação em gordura, sal e açúcar. O tratamento com o balão intragástrico assistido pelo nutricionista costuma ser mais eficaz porque o paciente passa pelo processo educativo. O nutricionista ensina o paciente as funções de cada nutriente, vitaminas, minerais e onde encontrá-los. Dessa forma, o paciente passa a ter mais consciência da sua alimentação.

E o psicólogo, onde entra?

Ninguém disse que seria fácil muito menos simples o processo de reeducação alimentar. Isso porque a comida está completamente associada a nossa cultura, emoções, sentimentos e condições mentais. Quando se inicia o tratamento com o balão intragástrico um dos maiores medos dos pacientes é das privações alimentares.

É aqui que o psicólogo entra. Ajudando o paciente a encarar os seus problemas emocionais para iniciar um relacionamento mais saudável com a comida. Sem que se perca o contentamento, a alegria e o prazer de comer. Pelo contrário. Comer deixa de ser um ato de fuga, uma compulsão, um fardo ou uma desculpa para não olhar para si. Passa a ser um ato de amor próprio, nutrição do corpo e descoberta de novos sabores e texturas, enriquecendo o paladar.

E a parte do gasto de energia?

Uma das maiores dificuldades de quem sofre com o excesso de peso é a indisposição para prática de atividade física. Mas diferente do pensamento preconceituoso que culpa a pessoa obesa por preguiça, estudos científicos explicam o motivo. Pesquisa norte-americana publicada na revista científica “Cell Metabolism” diz que o sobrepeso pode causar uma disfunção nos receptores de dopamina. A falta desse neurotransmissor pode justificar a dificuldade que pessoas com excesso de peso sentem para praticar exercício.

Então o sobrepeso leva ao sedentarismo e o sedentarismo ao sobrepeso?

Isso mesmo. Por este motivo chamamos o fenômeno de “Efeito bola de neve”. O estudo do Instituto de Diabetes e Doenças Renais e Digestivas dos Estados Unidos observou camundongos durante 18 semanas. Os ratinhos foram divididos em dois grupos: um alimentado com dieta equilibrada e outro com uma dieta rica em gordura. Logo nas primeiras semanas os roedores que estavam em regime de engorda começaram a se movimentar menos nas gaiolas. Ao mesmo tempo, eles tiveram uma queda de atividade numa classe de receptores de dopamina chamada D2.

Obviamente este não é o único fator que leva as pessoas ao sedentarismo, mas ajuda a explicar porque é tão difícil começar a se exercitar quando se está acima do peso considerado saudável.

Por isso, a recomendação médica para quem está em tratamento com o balão intragástrico é o acompanhamento do educador físico. Ele pode indicar as melhores práticas para começar, de modo que não afaste o paciente ainda mais do tratamento. Este profissional tem todas as ferramentas para engajar o paciente, para que ele sinta prazer praticando atividade física.

Melhor ainda do que a contratação separada desses profissionais é quando a clínica possui uma equipe multidisciplinar. Dessa forma, é possível que médico, nutricionista, psicólogo e educador físico tracem um planejamento estratégico para o paciente. Levando em conta cada uma das causas da sua obesidade, tratando-a de forma sistêmica. Dessa forma, o paciente se sente mais seguro para cumprir com a sua parte no tratamento com o balão intragástrico.

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