Spatz3 - Balão Intragástrico Ajustável

O ENDOSCOPISTA E GASTROENTEROLOGISTA JIMI SCARPARO FALA SOBRE BALÃO INTRAGÁSTRICO COM EXCLUSIVIDADE PARA O CANAL SPATZ

Após Workshop do Balão Intragástrico Spatz3 que ofereceu em sua Clínica Scarparo Scopia na semana passada, o endoscopista e gastroenterologista Jimi Scarparo concedeu entrevista exclusiva ao Canal Spatz, na qual fala sobre as vantagens do balão de um ano e tudo o mais que você precisa saber sobre este tipo de tratamento para emagrecer.

Com quase 2.000 pacientes de experiência, Scarparo afirma: “se você tem tentado perder peso com a prática de dietas, exercícios ou uso de medicamentos sem sucesso, talvez o balão intragástrico possa ser uma grande ajuda”. Saiba o porquê!

Canal Spatz: Como funciona o tratamento com o balão intragástrico? Como identificar o candidato a este tipo de tratamento?

Jimi Scarparo: Trata-se de um tratamento conservador da obesidade, sem cirurgias, por meio do implante de um dispositivo em formato de uma bola de silicone no interior do estômago, com o objetivo de promover um grau de saciedade maior e mais constante no seu portador, de forma a ajuda-lo a promover uma reeducação alimentar, a emagrecer mais (em kg) e numa velocidade maior do que ele conseguiria sozinho, apenas com dieta e exercícios.

O balão intragástrico pode ser usado por qualquer pessoa que tenha IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 27 e que não apresenta contraindicações formais ao procedimento.

Se você tem tentado perder peso com a prática de dietas, exercícios ou uso de medicamentos sem sucesso, talvez o balão intragástrico possa ser uma grande ajuda. Se você possui doenças de difícil controle corroboradas pela obesidade tais como diabetes, pressão alta, colesterol aumentado, entre outras, o balão pode te ajudar perder entre 15 a 30% em média do seu peso total atual, ou entre 3 a 5 pontos do seu IMC, o que favorece o controle de tais doenças. É também especialmente bem indicado para aqueles pacientes que têm um IMC entre 27 e 35, ou para aqueles que têm mais de 35 e não querem se submeter a uma cirurgia bariátrica. É um tratamento considerado seguro, com baixo índice de complicações, é temporário, reversível, repetível e com possibilidade de interrupção a qualquer momento.

Canal Spatz: Quais os balões disponíveis no mercado brasileiro e suas diferenças?

Jimi Scarparo: Essencialmente existem 3 tipos de balões atualmente no mercado brasileiro: 1. Balão de ar, 2. Balão de líquido não ajustável e 3. Balão de liquido ajustável.

O balão de ar traz a vantagem de ter menos dificuldade de adaptação inicial do paciente ao dispositivo, no entanto, justamente por ser mais leve, traz um grau de saciedade menor. Além disso, possui a desvantagem de que, em casos de vazamentos, não denuncia o ocorrido, o que traz outros riscos para seu usuário. O balão de líquido não ajustável foi um dos primeiros a chegar ao nosso mercado, com permanência de 6 meses, está bem sedimentado entre a população médica há mais de 2 décadas. É preenchido com liquido somado a um corante biológico, que em caso de vazamentos, o que é muito raro para qualquer balão, será facilmente percebido pela presença de urina muito esverdeada, sendo impossível passar despercebida pelo seu usuário.

Recentemente, há 2 anos, foi liberado para nosso mercado o Balão Ajustável que tem tempo de permanência liberado pela ANVISA de 1 ano. Este também é preenchido com líquido e corante, com o mesmo padrão de funcionamento do balão não ajustável, salvo pelo fato que pode permanecer mais tempo e ter a possibilidade de receber ajustes para mais ou para menos no seu volume interno.

Estudos mostram que a perca real com qualquer balão ocorre no máximo até o sexto mês, mas a permanência por mais tempo é algo bastante louvável já que ajuda o paciente a manter o foco do seu tratamento, a estabilização de perda conseguida, a promover uma reeducação alimentar mais sedimentada e a reduzir as chances de reganho após a retirada do balão.

No entanto, creio que a melhor característica desse balão é a possibilidade de ajuste, o que confere ao profissional médico a chance de manipular melhor o tratamento, diminuindo seu volume caso o desconforto do paciente for insustentável com a permanência do balão, ou aumentar o volume para se conseguir mais saciedade, especialmente após a total adaptação do mesmo. É recomendável um ajuste nesse sentido entre o 3o e 4o mês de tratamento, mas pode ser feito tantas quantas vezes forem necessárias e julgadas pelo médico.  Basicamente essas são as diferenças principais entre os balões.

Canal Spatz: O tratamento com o balão de um ano é mais lento? O paciente emagrece mais devagar?

Jimi Scarparo: Não. A velocidade do tratamento não tem a ver com o tipo do balão e sim com o organismo de cada pessoa, com a forma como o paciente adere ao tratamento e executa os acompanhamentos multidisciplinares e se ele obedece às recomendações dadas por esses profissionais. Normalmente, independente do balão usado, 70% da perda total ocorrerá logo nos 3 primeiros meses. O diferencial do balão de 1 ano é a possibilidade de aumentar o seu volume entre o 3o e 4o mês, elevando o grau de saciedade. Assim, podemos potencializar a perda dos 30% restantes, o que confere uma maior perda de peso no final do tratamento até o sexto mês. Nada impede de se continuar a perder após o sexto mês, o que acontece com frequência em nossos pacientes, mas a ajuda do balão de 1 ano nesse caso está essencialmente no poder restritivo que ele ainda causa, não no grau de saciedade. Estudos preliminares têm demonstrado que o reganho de peso é mais difícil naqueles pacientes que ficaram restritos por mais tempo. Nesse sentido pode ser que o balão de 1 ano esteja ajudando.

Canal Spatz: Se o paciente colocar o balão de 1 ano, mas atingir o peso ideal antes do tempo, pode retirar?

Jimi Scarparo: Na verdade, a possibilidade de retirar o balão existe a qualquer tempo, até no mesmo dia em que foi colocado. Embora essa possibilidade exista, ainda que você tenha alcançado seu objetivo de perda, não é recomendável retirar o balão antes do prazo determinado como tratamento pelo seu médico. Nossa experiência mostra que quanto mais precoce ocorre a retirada do balão, maiores são as chances de reganho de peso. Isso ocorre por que não deu tempo ainda para que nossa memória orgânica se ajuste de forma fisiológica e hormonal no peso conseguido com o uso do balão. É preciso tempo e estabilidade na balança para que isso ocorra. Dessa forma, o balão de 1 ano pode ajudar também.

Canal Spatz: Para que serve o ajuste de volume do balão?

Jimi Scarparo: Como já disse antes, os ajustes são possíveis no balão de 1 ano tanto para mais como para menos volume interno. Isso tanto pode ajudar na adaptação do paciente, como pode ajudar na perda de peso. Essa questão deve ser sempre a critério médico e nunca a critério do paciente. Se essa manipulação ficar a critério do paciente existe grande chance do tratamento não ser eficaz. O médico, em última instância, é quem deve recomendar os ajustes como tratamento médico e não como conveniência do paciente.

Canal Spatz: Até quantos quilos é possível emagrecer com o balão intragástrico ajustável?

Jimi Scarparo: Não é possível prever com precisão a perda real de cada indivíduo, especialmente em números absolutos de quilos. A medicina é baseada em evidências estatísticas. A média estatística de perda de peso com o balão é de 15 a 20% do peso total. Obviamente, há insucessos com perdas pequenas e também sucessos muito interessantes com perda de até 40% do peso total, índices esses comuns a cirurgias bariátricas. Nós não engordamos por apenas por uma razão e certamente não iremos emagrecer apenas por uma razão.

Assim sendo, vários fatores podem interferir na perda de peso com o balão intragástrico, desde a idade e sexo do paciente até outros fatores tais como: doenças preexistentes que atrapalham a perda de peso, o metabolismo individual, distúrbios alimentares não corrigidos ou não identificados como compulsões alimentares, distúrbios psicológicos como depressão e ansiedade, sua adesão ao tratamento com manutenção do foco até o final do processo, observância das recomendações dadas pelos profissionais que o acompanharão, a prática concomitante de atividades físicas, a redução considerável da ingestão de doces e açúcares, entre outros fatores. Isso tudo pode promover ou atrapalhar sua perda de peso. Temos que lembrar que a obesidade é uma doença crônica e tem que ser tratada com seriedade e diligência.

Canal Spatz: E depois da retirada do balão? Como é feita a manutenção do peso?

Jimi Scarparo: Costumo dizer aos meus pacientes que existem duas grandes etapas de tratamento da obesidade: perder e manter. Considero a primeira muito mais fácil do que a segunda, especialmente com o uso do balão.

O reganho nada tem haver com o balão, pois também ocorre após emagrecimento com dietas, remédios e até mesmo cirurgias bariátricas. Não importa quantos quilos você perdeu, nem como perdeu, você terá uma grande missão depois que perder: manter. Provavelmente você já sabe disso. Sendo assim, quando o seu balão for retirado, sugiro como profissional, algumas medidas eficazes nesse propósito de não reganhar peso, por exemplo: mantenha acompanhamento com nutricionista por pelo menos mais 6 meses, o mesmo pode valer para o psicólogo; sustente a reeducação alimentar conseguida durante a permanência do balão; procure se lembrar de quem você era – se possível, coloque fotos de sua época em que estava mais gordo(a) em lugares que você frequentemente veja; pese-se frequentemente e, ao mínimo aumento na balança, corra logo atrás do prejuízo; pratique atividades físicas regulares – estudos mostram que esse é um grande diferencial entre o grupo que volta a engordar e o grupo que não reganha peso; procure um endocrinologista para te ajudar a manter o peso e seu equilíbrio hormonal; corte em definitivo o excesso de açúcares – substitua-os por adoçantes.

E por que não usar um outro balão sucessivo? Tenho recomendado isso a meus pacientes que ainda possuem parâmetros de perda. Aqueles que assumem essa proposta não se arrependem. Colocam outro balão no mesmo dia em que retiram o primeiro. Se o interesse é a manutenção de peso isso é o recomendável. Se você tem interesse em ainda perder mais peso do que conseguiu no primeiro balão, recomendo você aguardar pelo menos 3 meses para uma reinserção. O uso adequado do balão não traz sequelas ao nosso organismo.

Canal Spatz: Como é a cirurgia de colocação e retirada do balão de 1 ano?

Jimi Scarparo: Em primeiro lugar não é uma cirurgia. É um procedimento endoscópico, similar aos exames de endoscopias. É ambulatorial, ou seja, não precisa de internação hospitalar, pois o paciente recebe alta no mesmo dia após completa recuperação. É feito sob sedação, embora para alguns pacientes com mais peso ou com outras restrições se faz necessário anestesia geral. Pode ser feito tanto em clínicas, hospitais-dia, centros cirúrgicos ou qualquer lugar liberado pela ANVISA com suporte avançado de vida. É um procedimento indolor, rápido, em média entre 15 e 30 minutos.

Após o implante haverá alguns dias de desconforto pela presença do balão, o que tentaremos coibir com medicamentos, mas será necessário o afastamento de suas atividades por pelo menos 3 dias. Isso já não é necessário após a retirada.

Enfim, é muito simples e seguro se realizado por profissionais habilitados, em locais apropriados e com uso de balões confiáveis como os que usamos.

Canal Spatz: Qual é o futuro do balão no Brasil?

Jimi Scarparo: O Brasil hoje é o segundo país mais obeso do mundo em números absolutos. Perdemos apenas para os EUA. Mais de 50% de nossa população está com excesso de peso. Infelizmente a tendência dessa estatística é piorar. Cada vez mais gastamos menos energia e comemos mais. Cada vez mais deixamos os orgânicos e comemos os industrializados. A obesidade infantil é alarmante. O sedentarismo um hábito. Sofremos pressões diárias muitas vezes compensadas pelo hábito de comer.

Enfim, como sociedade, estamos engordando. Então, qualquer arma contra obesidade é bem-vinda. No entanto, não é como um cardápio de opções que posso escolher ao meu bel prazer. Acredito no tratamento clínico conservador com medicamentos, dietas e exercícios para aqueles que precisam perder de 10 a 15% do peso total. Acredito nas cirurgias bariátricas para aqueles que precisam perder mais de 30% do peso total. E acredito no balão para essa faixa de pessoas que 10 kg não seriam suficientes e tampouco precisam perder mais que 30 a 40 kg do peso total.

Para mim, qualquer pessoa que mereça perder entre 15 e 30% do peso total, tem no balão uma grande indicação e aliado. O balão ainda não é muito conhecido em nosso país, muito embora o Brasil já seja o país que mais realiza o tratamento com balão no mundo. Penso que os avanços, como o poder de ajuste, podem ser de grande valia. Penso que os balões serão projetados para permanecer mais, pois existe essa necessidade, não tanto para provocar uma perda maior, mas sim uma manutenção maior ou definitiva do peso perdido.

Com minha experiência de quase 2.000 pacientes, acredito ter propriedade para dizer que ainda estamos no começo, que esse tratamento é eficaz e seguro, que estará sim entre o arsenal terapêutico contra a obesidade por pelo menos mais uma década. Certamente outros tratamentos surgirão, novas propostas, novas cirurgias, novos medicamentos, mas cada paciente terá a indicação precisa para seu caso e naturalmente o uso dessa bola azul no estômago ainda será considerado uma grande arma.

Gosto de dizer que, não é o balão que funciona com o paciente, mas sim o paciente que funciona com o balão. Funciona para quem funciona.

Se você está precisando perder peso e possui parâmetros para implantar um balão, sugiro mesmo considerar essa possibilidade. Procure um profissional sabidamente habilitado nesse tratamento perto de você e faça uma consulta.

Como Thomas Edison disse: “Quando por mais de uma vez obtivemos a derrota, é por que estamos mais perto da vitória.”. Não desista!

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Equipe Spatz

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